13.08.2021

7 coisas que não te contaram sobre as cáries

Saber como prevenir e tratar a cárie é o primeiro passo para garantirmos uma boa saúde bucal (Imagem: Sorrisologia)
Saber como prevenir e tratar a cárie é o primeiro passo para garantirmos uma boa saúde bucal (Imagem: Sorrisologia)

Lidar com o surgimento da cárie é sempre um grande incômodo. Depois de instaurada na superfície dentária, o problema pode passar um período assintomático e só ser diagnosticado no seu estágio mais avançado. Na prática, a cárie profunda pode resultar em uma série de prejuízos para sua saúde bucal e até mesmo a perda dentária. Sendo assim, é importante estar por dentro de tudo relacionado ao assunto, desde o que causa cárie às formas de prevenção do quadro. Pensando nisso, nós conversamos com a dentista Uila Ramos, de Pernambuco, que revelou algumas curiosidades sobre as cáries. 

  • 1) O estresse pode aumentar os riscos de cárie no dente

    Não é novidade que o psicológico pode afetar diretamente a saúde bucal. Mas, o que poucos sabem é que, o estresse também pode favorecer o surgimento das cáries. Isso porque a doença bucal pode surgir como resultado da redução do fluxo salivar. Com a alteração do pH da boca, o paciente pode estar mais suscetível a desenvolver cárie no dente.

    “Essas situações rotineiras de estresse colocam o corpo no modo de “luta” e, neste estado emocional, o organismo economiza o gasto energético com atividades periféricas para concentrar a energia no estado de alerta máximo, desligando funções assim como a diminuição da salivação”, relaciona a dentista. 

  • 2) O aparelho ortodôntico contribui para o surgimento de cáries

    Antes de iniciar o tratamento ortodôntico, é importante saber que os riscos de cárie no dente podem ser maiores. Afinal, o uso de braquetes, fios e outros acessórios metálicos podem favorecer o acúmulo de alimentos e, consequentemente, de placa bacteriana. “Se o paciente não tiver a rotina de fazer uma higiene bucal adequada, incluindo fio dental, sempre após as refeições, terá facilidade em formar e acumular a placa bacteriana”, alerta a dentista. Por isso, é fundamental redobrar os cuidados com a escovação para prevenir as cáries.

  • 3) A cárie atrapalha a mastigação e a sua alimentação

    Para surpresa de alguns pacientes, a presença de cárie no dente também pode prejudicar algumas funções importantes da boca. A mastigação, por exemplo, é a principal delas. “Quando a cárie avança e atinge uma profundidade maior, em que o remanescente da dentina está mais próximo da polpa dental, ocorre uma sensibilidade dolorosa no dente afetado”, alerta a profissional.

    Isso acontece porque a alimentação provoca um deslocamento dos fluidos presentes na dentina e na polpa dentária, o que desencadeia a resposta dolorosa durante o contato. Justamente por isso, é importante tomar os devidos cuidados para que o quadro não evolua para uma cárie profunda. 

  • 4) O consumo de água ajuda a prevenir a cárie

    Você já deve saber que a água garante o bom funcionamento do nosso organismo, certo? Mas, além disso, ela também pode ser uma grande aliada quando o assunto é combater as cáries. Isso graças à presença de flúor em sua composição. “O flúor possui uma ação protetora para o esmalte dental, já que ajuda na remineralização”, afirma a especialista.

    Outra prova de que a água ajuda a prevenir a cárie no dente é a sua contribuição para a salivação que, por sua vez, mantém a neutralidade do pH bucal e protege os dentes. Então, já sabe, né? Mantenha-se hidratado e consuma, no mínimo, dois litros de água por dia. 

  • 5) Manchas escuras nem sempre são sinônimo de cáries

    Ok, talvez essa não seja uma grande novidade para você, mas é importante reforçar: nem sempre as manchas escuras são cáries. “A cárie inicial se apresenta como uma área de desmineralização na superfície dental com uma coloração esbranquiçada”, alerta a especialista. Além disso, é importante ter um diagnóstico correto feito por um especialista antes de iniciar qualquer tipo de tratamento para cárie.

    “Há diferenças entre uma lesão de cárie e uma pigmentação extrínseca que são melhor diferenciadas pelo cirurgião-dentista”, ressalta a Dra. Uila. Mas, de maneira geral, existe uma diferença básica: a pigmentação não altera a estrutura dental. Nesse caso, ocorre apenas uma mudança temporária na coloração dos dentes que compromete apenas a estética do sorriso.

  • 6) A cárie pode ser um efeito colateral do tratamento pós-radioterapia

    Outro fator importante que contribui para esse tipo de cárie é que a radiação também pode comprometer as glândulas salivares. Dessa maneira, o procedimento tende a reduzir a quantidade e a qualidade da saliva produzida, favorecendo o aumento da atividade da cárie. A cárie de radiação tende a evoluir rapidamente e não costuma causar dor, o que pode ser um problema para pacientes que não costumam fazer check-up odontológico. 

  • 7) A cárie surge apenas no lado externo dos dentes 

    No primeiro instante, a cárie tende a atingir o esmalte dental, que é o tecido dentário mais externo. “Ainda que a cárie surja em uma área pequena do esmalte e atravesse esta barreira, terá que primeiro vencer a dureza do esmalte para atingir a dentina”, revela a Dra. Uila.

    Isto acontece nos casos de cárie oculta, em que o início de atividade cariosa em uma pequena área do esmalte, depois de atingir a dentina causa um avanço e danos maiores. Mas, vale lembrar que, se o dente apresentar áreas expostas de dentina, como retração gengival e desgastes dentais, a cárie pode se instalar mais facilmente pelo grau de mineralização menor se comparado ao esmalte. 

Este artigo contou com a participação de:
Uila Ramos da Silva - Cirurgiã-dentista formada pela Universidade Federal de Pernambuco e ortodontista formada pela Faculdade de Odontologia do Recife
CRO-PE 10.380


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