27.08.2021

Sialorréia em bebês é normal?

Entenda como a sialorreia acontece em bebês e quando a condição exige um tratamento
Entenda como a sialorreia acontece em bebês e quando a condição exige um tratamento

O excesso de saliva pode ser sinal de uma das principais doenças que afetam a saúde bucal: a sialorreia. Causada por diversos fatores, a condição é caracterizada pelo excesso de salivação que pode atingir cerca de 500 ml a 2 litros por dia. Embora também possa ocorrer na fase adulta, a sialorreia é uma condição bastante comum em crianças e bebês. Mas você sabe o porquê? Ou como tratá-la? Para esclarecer essas dúvidas, o time de Sorrisologia bateu um papo com a dentista Uila Ramos, que revelou tudo sobre essa patologia que provoca o excesso de saliva. 

Sialorreia: o que é?

A sialorreia é uma doença bucal que costuma ser caracterizada pelo excesso de saliva com extravasamento para fora da boca. De acordo com a especialista, a condição pode ser causada por diversos fatores. “O excesso de salivação pode ter origem neurológica quando o paciente apresenta um controle neuromuscular deficiente causado por alguma condição mais grave, como a paralisia cerebral. Também pode ser consequência de uma irritação local, como as úlceras aftosa, ser desencadeada pela hipersecreção salivar ou alteração na anatomia bucal”, explica a profissional. No caso de sialorreia em bebês, é comum que a patologia surja durante a fase de aleitamento - que é responsável pelo amadurecimento das glândulas salivares.

Sialorreia em bebês é considerada uma condição comum até os 24 meses de idade

Ao contrário do que muitos pensam, o excesso de salivação provocado pela sialorreia é bastante comum em bebês. “Até os 24 meses de idade, a condição é considerada normal. Entretanto, a permanência do quadro após os quatro anos de idade é considerado patológico”, alerta a dentista. Durante o desenvolvimento infantil, à medida em que a criança adquire controle da atividade da cavidade bucal, é provável que a sialorreia cesse. “Isso porque o bebê consegue administrar a saliva presente na boca”, explica a Dra. Uila. Geralmente, a continuidade do quadro de sialorreia em crianças costuma estar associado com o acometimento de desordens neurológicas e com falta de coordenação neuromuscular.

O excesso de salivação pode provocar riscos à saúde bucal infantil

Você pode até não acreditar, mas o excesso de saliva também pode ser prejudicial para a saúde dos pequenos. Mau hálito e falta de selamento labial, por exemplo, são alguns dos problemas que podem surgir devido à sialorreia. “Aumento de infecções orais e periorais, alterações nas funções de mastigação e da fala, presença de má oclusão, engasgo, úlceras ao redor da boca, diminuição da movimentação da língua, queixo e pescoço e dificuldades para fazer a higiene bucal são outros quadros provocados pelo excesso de salivação”, revela a profissional. 

Além das desvantagens para saúde bucal, a sialorreia também pode interferir na qualidade de vida e no bem-estar dos pequenos. “Outras repercussões prejudiciais para a criança são o constrangimento social, necessidade de troca constante de roupas e lençóis devido às manchas presentes e danos aos utensílios utilizados pela criança”, conta Uila.

Sialorreia: tratamento não é recomendado antes de dois anos de idade

Antes de mais nada, é preciso entender que o tratamento para sialorreia não é recomendado para crianças de até dois anos de idade. Isso porque durante esse período os pequenos tendem a amadurecer o controle das funções orais e, aos poucos, controlar o excesso de salivação. Mas, quando a sialorreia persiste depois dos quatro anos, é necessário optar pelo tratamento para estabelecer o controle sobre a salivação. Nesses casos, as medidas podem envolver: 

  • Tratamento fonoaudiológico (terapia oro-motora): consiste do treino para consciência sensorial e habilidades motoras orais;
  • Modificação corporal via biofeedback: caracterizado pelo monitoramento da atividade muscular dos grupos musculares através de eletromiografia; 
  • Tratamento ortodôntico: tem como finalidade a prevenção ou correção de alterações dento esqueléticas como a mordida aberta anterior, dentre outros erros na oclusão;
  • Tratamentos farmacológicos e cirúrgicos.
     

Este artigo contou com a participação de:
Uila Ramos da Silva - Cirurgiã-dentista formada pela Universidade Federal de Pernambuco e ortodontista formada pela Faculdade de Odontologia do Recife
CRO-PE 10.380


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