24.01.2017

Regra dos 5 segundos: ingerir alimentos que caem no chão pode colocar a saúde bucal em risco?

1, 2, 3, 4, 5... será mesmo que poucos segundos são suficientes para driblar as bactérias?
1, 2, 3, 4, 5... será mesmo que poucos segundos são suficientes para driblar as bactérias?

É sempre muito triste quando aquela comida tão desejada cai no chão antes mesmo de chegar à boca. Nessas horas, se você nunca considerou usar a regra dos 5 segundos, provavelmente já foi incentivado por alguém a segui-la. O problema é: recuperar rapidamente o alimento que caiu é realmente algo seguro? Convidamos a dentista Dulce Cabelho para tirar as dúvidas e falar sobre os possíveis riscos para a saúde bucal.

Você conhece essa "regra"?

Alguns estipulam um tempo máximo de três segundos, outros são mais maleáveis e passam até dos dez, mas em todos os casos, o que importa é resgatar a comida do chão o mais rápido possível. A lógica do pensamento é que, por causa do pouco tempo de contato, as bactérias não são capazes de contaminar o alimento. Segundo Dulce, antes de aderir a teoria, é preciso lembrar dos riscos.

Sua boca exposta a perigos

A profissional explica que é preciso refletir. Além de ser uma questão de higiene, essa é também uma questão de saúde. “Muitas bactérias ficam aderidas nos alimentos provocando inúmeras doenças bucais, e as principais são infecciosas”, ressalta. Segundo ela, essa regra está diretamente relacionada a inúmeros fatores e, assim, cada um deles devem ser analisados.

O que considerar

Uma pesquisa feita por cientistas ingleses garante que o tempo, a consistência do alimento e o tipo de solo devem ser considerados na hora de recuperar o que caiu no chão. Assim, um sorvete que despenca da casquinha direto para a rua, por exemplo, não pode ser comparado a um pão que cai no piso da cozinha de casa.

De qualquer maneira, isso pode ser questionável. Uma outra pesquisa feita por uma universidade nos Estados Unidos garante que bactérias são capazes de se transferir para o alimento em fração de segundos. Liberar a regra como segura, de acordo com Dulce, talvez não seja tão prudente.

A opinião da profissional

“Deve-se pensar: quem fará o controle do tempo, em quais lugares isto ocorreu, qual o tipo de alimento, qual a faixa etária de quem vai consumir?”, indaga a dentista. Ela acredita que, em todo caso, é melhor prevenir. Sendo assim, não é viável que a prática seja incentivada. “Alimento que caiu ao chão deve ser desprezado não só pela saúde bucal, mas como pelo risco da saúde geral ser comprometida”, finaliza.


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