Sorriso gengival em crianças: é possível tratar?

O sorriso gengival em crianças pode ser causado por diversos fatores. Mas será que é possível corrigir o quadro? Entenda!
O sorriso gengival em crianças pode ser causado por diversos fatores. Mas será que é possível corrigir o quadro? Entenda!

Ainda que seja uma condição comum, o sorriso gengival ainda desperta incômodo e desconforto entre os pacientes. Prova disso é que pais e mães já buscam pela solução do excesso de gengiva em seus filhos ainda durante a infância. Mas será que é possível corrigir o quadro nessa fase? A cirurgia ortognática para sorriso gengival é recomendada para esses casos? Pensando em esclarecer essas e outras dúvidas, conversamos com a odontopediatra Joaquina Diniz, de São Paulo, que revelou tudo sobre os tratamentos para sorriso gengival em crianças. Veja só!

Sorriso gengival: entenda as principais características e causas do quadro

De maneira geral, o sorriso gengival é caracterizado pelo excesso de gengiva, que, ao sorrir, fica evidente nas arcadas superiores e inferiores. No entanto, é importante saber identificar quando o tecido gengival realmente provoca o desequilíbrio harmônico entre os dentes. “É normal apresentar  uma exposição média de 1 à 2mm do tecido gengival ao falar ou sorrir. Por isso, consideramos um sorriso gengival quando ultrapassa a marca de 4mm”, revela a profissional.

Quanto às causas do sorriso gengival em crianças, a especialista explica que existem diversos fatores que podem ocasionar o quadro. “O excesso de gengiva pode estar relacionado a dentes curtos, crescimento gengival excessivo decorrente de medicamentos ou síndromes, assim como  a musculatura hipertrófica, que é quando o lábio sobe demais, em específico o músculo elevador do lábio superior”, afirma a dentista. Além disso, o sorriso gengival também pode ser ocasionado pela discrepância maxilar, caracterizada pela condição do osso abrigando os dentes superiores.

O sorriso gengival pode trazer prejuízos à saúde bucal infantil

Embora a estética seja sempre a primeira reclamação feita por quem apresenta o sorriso gengival, a condição vai muito além disso. De acordo com a especialista, o excesso de gengiva, especialmente em crianças, também pode trazer consequências à saúde bucal. “Em casos de alterações na maxila, por exemplo, pode haver dificuldade em relação ao selamento labial, o que torna o tecido gengival mais ressecado devido ao prejuízo de sua lubrificação pela saliva”, explica Joaquina. Na prática, isso pode deixar a gengiva mais propensa a outras desordens. Além disso, o sorriso gengival também pode dificultar a higiene bucal dos pequenos, o que pode servir de porta de entrada para uma série de doenças, como as cáries.

Afinal, é possível corrigir o sorriso gengival durante a infância?

Infelizmente, não. Segundo a especialista, o sorriso gengival é uma condição que deve ser tratada a partir da adolescência, o que impede qualquer procedimento antes dos 10 anos de idade. A partir desse período, é possível optar por diferentes tipos de tratamento que variam de acordo com a causa do sorriso gengival. “No caso de musculatura hipertrofiada, o tratamento pode ser realizado com toxina botulínica. Quanto ocasionado por uma discrepância maxilar, a recomendação é a cirurgia ortognática para sorriso gengival”, conta a especialista.

Por outro lado, pacientes com sorriso gengival causado por dentes excessivamente curtos ou com hiperplasias gengivais podem realizar gengivoplastia ou gengivectomia. Mas lembre-se: esses procedimentos não devem ser realizados em crianças. Por isso, o ideal é consultar um profissional qualificado para garantir os cuidados certos até que o tratamento definitivo possa ser feito. 

 

Este artigo tem a contribuição da especialista:
Joaquina Santos Diniz - Especialista em odontopediatria
Mogi das Cruzes, SP
CRO-SP: 115.367

 


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