15.08.2016

Displasia cleidocraniana: entenda a síndrome que afetou os dentes de Gaten Matarazzo, ator de "Stranger Things"

A displasia cleidocraniana é uma síndrome que afeta o crescimento e a quantidade de dentes do portador. Com um sorrisinho meio banguela, Gaten ainda está passando pelo tratamento, que acontece de forma gradativa
A displasia cleidocraniana é uma síndrome que afeta o crescimento e a quantidade de dentes do portador. Com um sorrisinho meio banguela, Gaten ainda está passando pelo tratamento, que acontece de forma gradativa

Você já ouviu falar de displasia cleidocraniana? Apesar de ser uma síndrome rara, que acomete 1 em cada um milhão de pessoas, ela ficou conhecida devido ao sucesso da série Stranger Things. O ator mirim Gaten Matarazzo interpreta o personagem Dustin que sofre bullying na escola pela falta de dentes, reflexo da doença que atinge o astro na vida real e na ficção. A doença tem causa genética na maioria das vezes. O patologista bucal Daniel Cohen explica que a síndrome pode se desenvolver por fatores hereditários ou mutações espontâneas.

Entenda mais sobre a doença

Também conhecida como disostose cleidocraniana, a displasia representa uma desordem das estruturas esqueléticas que altera não só a produção e remodelação óssea, como também interfere no processo de formação e nascimento dos dentes. "As clavículas (ausentes ou reduzidas) e ossos do crânio são geralmente afetados de forma mais expressiva", completa o especialista. Outra consequência muito comum é a aproximação dos ombros em direção ao centro do corpo.

O diagnóstico é feito de forma visual

Daniel afirma que a aparência do portador de displasia é suficiente para o diagnóstico. "O paciente tende a ter baixa estatura e a cabeça grande, com relevância da parte externa dos ossos que compõem os lados superiores, anterior e lateral do crânio, respectivamente". Frequentemente são notados também o aumento da distância entre os olhos e a base larga do nariz com a parte do osso superior achatada.

Estes pacientes também costumam exibir poucos dentes visíveis na boca, no entanto, são dentes extranumerários, ou seja, vão além da quantidade normal. A maioria deles é incluso e pode ser observada através de exames radiográficos. O profissional ainda cita outros reflexos dessa síndrome, como céu da boca profundo e a ausência ou malformação dos seios da face.

O portador tem muitos dentes inclusos

Os portadores da síndrome não trocam a dentição decídua para a permanente, mantendo muitos dentes inclusos. "Quando os dentes de leite são perdidos por cárie ou doença periodontal, os permanentes e extranumerários não costumam vir à boca, dando a falsa impressão de falta de dentes". Por este motivo, muita gente pensa que o problema consiste na perda dentária, quando, na verdade, é o oposto.

Opções de tratamento

No caso de anomalias ósseas o tratamento não é necessário. "A maioria dos pacientes apresenta suas funções normais sem quaisquer problemas significativos", garante. No entanto, as complicações odontológicas ligadas à displasia precisam de cuidados. Uma das medidas é a extração de todos os dentes decíduos e extranumerários, que deve ser realizada aos poucos.

Assim a dentição permanente consegue nascer com ajuda do tracionamento ortodôntico. "O procedimento deve ser realizado ainda quando criança, em fase de crescimento ósseo, para minimizar o risco da altura facial inferior encurtada e o prognatismo mandibular (quando o queixo se projeta para frente)", conclui.


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